Com certeza a psicologia tem uma profunda explicação sobre meu prazer em escrever, contudo, na minha mente leiga, esta explicação é bem simples, veio de uma combinação de fatores.
Nunca recebi diretamente de meus pais o incentivo para escrever, disse diretamente, pois indiretamente e possivelmente de maneira inconsciente, o fizeram da seguinte forma: compraram uma enciclopédia para mim e minha mãe, por sua vez, gostava de transcrever receitas culinárias dos programas que assistia e ouvia; tenho na mente ao recordar isto, a imagem dela sentada perto da televisão transcrevendo a receita que ouvia e em alguns dias ao lado de um aparelho de rádio. Minha mãe transcrevia muitas receitas, de encher caderno mesmo e penso que, de modo indireto, estes momentos surtiram muito efeito em mim; com a enciclopédia ao consumir leitura, semeei a base para tirar ideias e minha mãe, com seu exemplo e apenas o exemplo, sem falar nada, mostrou-me que escrever era um exercício gostoso e que produzia coisas boas e valores para o futuro.
Eu não
sou um gênio, mas aprendi a ler antes de ir para a escola, onde aprendi a
escrever; sinceramente não lembro como foi este processo de aprendizado, mas
lembro que eu lia gibi antes de ir para a escola e os gibis foram a primeira
fábrica de imaginação na minha mente e até hoje sou grato a eles.
No meu
segundo ano do primário que hoje se chama fundamental I, enquanto eu estava com
meus pais que trabalhavam em uma cantina, eu estava tentando aprender a amarrar
sapatos, eu queria fazer isto por mim mesmo como toda criança quer fazer; após várias
tentativas eu consegui amarrar o sapato corretamente, logo amarrei o outro e
fiquei tão contente que, neste momento, creio que agi de maneira diferente das
demais crianças da minha idade, que em vez de ir contar pra minha mãe ou pai,
fui atrás de caderno e lápis - ou caneta, não recordo qual dos dois usei, e escrevi
o acontecimento que descrevi como um milagre.
Esta
foi a minha primeira redação.
Uns
meses depois eu ganhei uma coleção do Sitio do Pica Pau Amarelo, que
fundamentou em mim o prazer pela leitura, pela história, pela mitologia e
história de ficção.
Lembra
que mais atrás falei que o gibi foi a minha primeira fábrica de imaginação,
pois bem, a coleção do Sítio foi o complexo industrial da imaginação, a partir
dela eu comecei não apenas fantasiar situações, mas a criar histórias seriadas
que eram relacionadas ao ambiente do Sítio.
Embora
tenha escrito meu trabalho quando aprendi a amarrar sapatos, não escrevi mais
sobre qualquer coisa, posso dizer e gosto de pensar isto, de que minha cabeça
estava funcionando como um aglomerado que dá origem a estrelas; na minha terceira
série do então primário, aprendi o que era redação e foi quando criei minha
primeira peça de teatro rsrsrsrs, a partir daí comecei realmente a escrever,
mas sempre em uma atividade escolar.
Depois
desse período, voltei a alimentar-me de leitura e quando eu tinha entre 14 e 15
anos, sentia que eu precisava escrever, pôr no papel as cenas que eu tinha na
mente, as ideias que o complexo industrial da imaginação estava criando e então
sim, comecei a escrever muitas histórias, sempre ficção, anos mais tarde que comecei a escrever sobre temas técnicos, embora não conhecesse bem as
normas técnicas.
Para
mim escrever foi e é uma atividade de lazer, de reflexão, de criar algo que
possa emocionar pessoas bem como passar conhecimento, muita coisa no meu
comportamento pode explicar por que sou assim, mas independente da explicação,
amo o resultado.
Se
você gosta de ler e escrever te convido a acompanhar as atividades do blog, vamos
conversar sobre livros, histórias e sobre escrever, você é bem-vindo.
Este é link para o meu livro que lancei na Amazon:
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